Links Interessantes da Semana 28/12/13

28 de dezembro de 2013

Um Ano Novo, por Neil Gaiman

26 de dezembro de 2013

Vez ou outra, o Neil Gaiman posta no blog dele um desejo de ano novo para os seus leitores. Queria escrever algo assim aqui no blog, mas como definitivamente não tenho jeito para essas coisas, decidi colocar um dos meus favoritos aqui (traduzido por mim):


"May your coming year be filled with magic and dreams and good madness. I hope you read some fine books and kiss someone who thinks you're wonderful, and don't forget to make some art -- write or draw or build or sing or live as only you can. And I hope, somewhere in the next year, you surprise yourself."

"...I hope you will have a wonderful year, that you'll dream dangerously and outrageously, that you'll make something that didn't exist before you made it, that you will be loved and that you will be liked, and that you will have people to love and to like in return. And, most importantly (because I think there should be more kindness and more wisdom in the world right now), that you will, when you need to be, be wise, and that you will always be kind."

"Que o seu próximo ano seja repleto de magia e sonhos e boa loucura. Eu espero que você leia alguns bons livros e beije alguém que ache que você é maravilhoso, e não se esqueça de fazer alguma arte - escreva ou desenhe ou construa ou cante ou viva como apenas você é capaz. E eu espero que, em algum momento do próximo ano, você se surpreenda."

"...Eu espero que você tenha um ano maravilhoso, que você sonhe perigosamente e escandalosamente, que você faça algo que não existia antes de você fazer, que você seja amado e que você seja querido, e que você tenha pessoas que te amem e que te apreciem de volta. E, mais importante (porque eu acho que deveria existir mais bondade e mais sabedoria no mundo agora), que você, quando você precisar ser, seja sábio, e que você seja sempre bondoso."

Book Haul | Dezembro 2013

24 de dezembro de 2013


Hoje eu decidi testar algumas das lições de fotografia do livro do John Easterby e aproveitei como desculpa essa mini-pilha de livros novos que ainda não tinham onde ficar. Tentei não usar o modo automático da câmera, testar diferentes composições e depois de umas 100 fotos, foi nisso que deu. Ficou uma coisa assim meio bizarra, mas foi divertido praticar um pouquinho. Falta agora colocar a leitura em dia, mas são tantos livros incríveis que nem sei por onde começar!

E Não Sobrou Nenhum (Agatha Christie)

17 de dezembro de 2013


"Dez soldadinhos saem para jantar, a fome os move;

Um deles se engasgou, então sobraram nove."


Em E Não Sobrou Nenhum, Agatha Christie conta a história de um grupo de pessoas desconhecidas umas das outras que são convidadas pelos mais diversos motivos para a remota Ilha do Soldado, em Devon, na Inglaterra. Durante o primeiro jantar no casarão do misterioso anfitrião, um tal de U. N. Owen, um gramofone anuncia os horríveis crimes cometidos por cada um dos dez presentes. Isolados do resto do mundo e sem meios de sair da ilha, de um por um os convidados começam a morrer. Para aumentar o mistério, as mortes ocorrem de acordo com um poeminha antigo, que dá o nome original do livro, "Ten Little Niggers" (em português, "O Caso dos Dez Negrinhos").

O livro tem uma premissa bastante simples, mas pensando bem, deve ter sido algo muito difícil de se executar. A todo o momento eu fazia marcações de pistas que poderiam levar ao(s) assassinos(s) e, para ser sincera, não cheguei nem perto de solucionar os crimes. Prestei atenção em cada um dos personagens, acompanhei seus passos, voltei várias vezes durante a leitura e, ainda assim, fui surpreendida no final. Apesar de ter falhado miseravelmente, foi um processo muito divertido e empolgante. Uma das coisas mais legais que eu reparei nos (poucos) livros que já li da autora é que os pensamentos dos personagens nunca "dizem" algo para enganar o leitor deliberadamente, mas sim são pensamentos que podem ser interpretados de diferentes maneiras. Então todas as pistas estão lá, é só preciso olhar com muita atenção.

Ganhei esse livro de aniversário e comecei a folheá-lo como quem quer dar só uma olhada. Quando vi, já tinha sido consumida de curiosidade e não consegui largá-lo de jeito algum até terminar de ler, apenas algumas horas depois. O ritmo de leitura é ótimo, em nenhum momento eu senti que ficou cansativo. Os capítulos são curtos, mas possuem muitas informações e chegando perto do final vão ficando cada vez mais curtos, dando um ar ainda mais intrigante à história. Não é à toa que esse romance de mistério já vendeu mais de 100 milhões de cópias desde a sua publicação em 1939, sendo um dos livros mais vendidos de todos os tempos. Agora, eu só preciso sair entregando cópias para todas as pessoas que conheço e que não tenham lido ainda!

Restou a vontade de ler mais livros da autora, como O assassinato de Roger Ackroad e Cinco porquinhos, e também de assistir uma das inúmeras adaptações do livro para o cinema e TV. Lembrando que o blog tem um post falando sobre os livros dela que pode ser visto aqui.
ISBN: 978-85-250-4529-4
Editora: Globo Editora
Tradutor: Renato Marques de Oliveira
Gênero: Literatura Estrangeira, Romance Policial
Páginas: 400
Comprar: Book Depository (em inglês)
★★★★★

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Uma das minhas resoluções para 2014 é escrever uma resenha (ou algo parecido com uma resenha) de todos os livros que eu ler. Aproveitei que esse ainda está fresquinho na memória e decidi começar djá essa empreitada. Cheguei à conclusão de que por mais que as minhas resenhas sejam curtas, no estilo gostei/recomendo, e nem cheguem aos pés de vários blogs que escrevem muito bem sobre livros por aí, não quer dizer que eu não possa dar a minha simples opinião. Isso era algo que vinha me impedindo de postar com mais frequência sobre muitas coisas por aqui, e só agora me dei conta que esse blog é meu e se não puder falar sobre o que eu quiser aqui, não tem sentido em ter o blog! Espero assim postar mais vezes e voltar a ter o prazer que eu sentia ao escrever aqui sem ficar pensando em abobrinhas.

Royals

16 de dezembro de 2013


De vez em quando, uma música entra na minha cabeça e simplesmente gruda. Daí eu passo meses só com ela, sem muito espaço para outras, e sem querer (ou querendo) acabo infernizando a vida de qualquer pessoa que estiver na minha presença por mais do que algumas horas cantarolando a tal música.

Dessa vez é a Royals, da neozeolandesa Ella Maria Lani Yelich-O'Connor (ufa!), mais conhecida como Lorde. Esse é o primeiro single da cantora de apenas 17 anos (!) e o mais legal é que essa música está fazendo o maior sucesso e já tem várias versões cover, sendo essas as minhas favoritas:

A versão incrível a capella do Pentatonix:


Essa versão acústica da Megan Davies com a Emily Hackett.


E, claro, a versão original, que já devo ter visto umas 197 vezes (só essa semana):

Pronto, era só isso. Já podem seguir com a segunda-feira!

Retrospectiva Literária 2013

8 de dezembro de 2013

O Jake aprova esse post!
Vi agora na comunidade Nerdfighters Brasil no Facebook essa lista de perguntas sobre uma retrospectiva de livros lidos em 2013. Decidi responder aqui no blog e aproveitar para me estender mais nas respostas:

Quantos livros você leu em 2013 (até agora)?
48. E pretendo passar dos 50 previstos no desafio literário desse ano, se der tempo, claro. Algumas pessoas se assustam quando falo sobre os livros que li esse ano (e nos desafios anteriores) e geralmente perguntam coisas do tipo "mas você entende mesmo o que está lendo?", "ah, não sei como você consegue ler tanto, eu não tenho tempo para isso", e a minha favorita "você pelo menos tem vida social?". Quero aproveitar para deixar claro:
  1. Só porque eu leio rápido não significa, necessariamente, que eu esteja fazendo skimming ou scanning* só para chegar até o fim do livro e poder aumentar o contador do Goodreads. Talvez, e só talvez, eu goste muito dos livros que leio e, quando leio com prazer, acabo lendo mais rápido do que quando faço por obrigação de terminar algo que não estou gostando. Assim, evito ficar me arrastando por meses para terminar uma leitura chata e que não rende (true story). Além disso, descobri que leio rápido porque leio bastante. E quanto mais eu leio, mais rápido eu consigo ler. E por ler rápido, eu consigo ler mais livros. E... deu pra entender.
  2. Isso implica que eu tenho tempo demais nas minhas mãos (talvez eu até tenha), mas ler para mim é uma prioridade.
  3. E, não, eu não tenho.

Qual livro mais te decepcionou?
Je voudrais que quelqu'un m'attende quelque part, de Anna Gavalda. Nem lembro quando foi que esse livrou entrou na minha lista de desejos, mas ele já apareceu aqui várias vezes em posts do tipo. O livro reúne 12 contos bem curtos sobre eventos cotidianos escritos de forma bem criativa pela escritora. É um livro bem leve de ler, mas também muito fácil de esquecer. Talvez eu tenha me decepcionado por ter ouvido falar muito bem dele, o que fez com que eu criasse altas expectativas. Ou, o que é bem mais provável, a "essência" do livro se perdeu na minha leitura, que ainda não é a das mais fortes em francês...

Qual livro mais te surpreendeu?
As Fronteiras do Universo, de Phillip Pullman. Essa trilogia foi uma surpresa muito boa nesse ano cheio de surpresas (na maioria, positivas). Eu esperava uma história interessante, mas foi muito mais do que eu poderia imaginar. Fiquei devendo uma resenha mais detalhada sobre esses livros aqui, prometo que um dia sai!

Que livro te fez rir?
O ancião que saiu pela janela e desapareceu, de Jonas Jonasson. O livro conta a história de um velhinho que não quer de jeito algum comemorar o seu centenário no asilo em que vive e decide sair pela janela e fugir. Muito engraçado, irônico e divertido, o livro acompanha vários dos principais eventos históricos do século XX e que se relacionam com a vida desse velhinho ex-fazedor de bombas.

Que livro te fez chorar?
Por Favor, Cuide da Mamãe, de Kyung-Sook Shin. Por Favor, Não Vamos Falar Sobre Esse Livro, Me Dá Vontade de Chorar Só de Lembrar.

Quais foram os seus favoritos? (no máximo 5)
1. As Fronteiras do Universo, de Phillip Pullman
2. Ficções, de Jorge Luis Borges
3. A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera
4. O Sol é Para Todos, de Harper Lee
5. Vampire Academy, de Richelle Mead

(Sim, eu sei que o primeiro é na verdade uma trilogia e o quinto são 6 livros no total, mas eu já tive que escolher entre tantos livros incríveis que li esse ano, então me deixem!).

Que livro fez você ficar com vontade de grifar tudo?
On Writing, de Stephen King. Tá que o livro é de não-ficção, mais técnico, mas mesmo assim eu chorei lendo (o que esperar de alguém que chora até vendo comercial de banco na TV?) sobre a vida dele e as dificuldades que ele passou até conseguir publicar o seu primeiro livro (que por acaso foi Carrie, A Estranha, que por acaso eu vi ontem o remake no cinema, e que por acaso não gostei muito não...). Ah, sim, o livro tem muitas dicas úteis para aspirantes a escritor, por isso recomendo ler com um bloquinho de anotações e um pacote de fitas adesivas coloridas ao lado.

Quem foi sua personagem feminina preferida?
Rosemarie "Rose" Hathaway, de Vampire Academy. Para mim, a definição de uma personagem badass, com as melhores frases na ponta da língua (e os melhores socos na ponta das mãos... Não, não? Tá, parei). Inventei até o WWRD (What Would Rose Do?), para ser usado nos momentos em que eu quero encontrar a resposta mais sarcástica possível.

E masculina?
Em dúvida entre Adrian Ivashkov, também de Vampire Academy, e Pastor, a versão do Diabo de Saramago em O Evangelho Segundo Jesus Cristo.

Qual é sua meta para o ano que vem?
Tentar ler 50 livros, mas dessa vez talvez focando em temas ou autores por mês, ainda não tenho certeza. No início do ano que vem faço uma daquelas listas para me nortear, como eu fiz esse ano.

*Se quiser saber mais sobre essas técnicas de leitura, recomendo esse link aqui (em inglês).

Hajimete no Otsukai

20 de novembro de 2013

Yotsuba Koiwai, 5 anos, no seu estado natural de fofura
Lendo o mangá Yotsuba&! acabei descobrindo sobre esse programa de TV japonês chamado Hajimete no Otsukai (はじめてのおつかい - The First Errand). Basicamente, o programa mostra crianças bem novinhas indo sozinhas pela primeira vez fazer alguma compra a pedido dos pais. Calma, elas são supervisionadas o tempo todo por cameramen escondidos/disfarçados de pedestres, apesar de parecer (para elas) que estão andando sozinhas por aí.

Passei mais tempo vendo vídeos desse programa no YouTube do que gostaria de admitir, mas é preciso reconhecer que elas são muito fofinhas - e corajosas! Fiquei pensando como isso dificilmente aconteceria aqui, pelo menos no contexto em que fui criada. Só bem mais velha, já no alto da minha adolescência que eu comecei a andar sozinha e sempre em vigilância constante.

E se você estiver se perguntando porque diabos as pessoas não vão ajudar essas criaturas minúsculas que estão perambulando sozinhas pela rua, li na wiki (graças ao Google Translate, infelizmente ainda não sei falar japonês), que os vizinhos ficam sabendo previamente que o programa será filmado e são incentivados a não interferir ou ajudar demais as crianças (mas eu também posso ter entendido tudo errado... o.o)

Esse primeiro vídeo mostra Erina, de 2 anos, e o irmão Kaimei indo comprar udon e suco, e Hana, de 1 ano (!!!) indo sozinha comprar tofu. No final do vídeo, a equipe de produção aparece seis anos após as filmagens para mostrar como as crianças cresceram.



Já nesse outro episódio, de acordo com o JapanProbe, dois irmãos - Masaki, de 5 anos e 2 meses, e Saika, de 2 anos e 10 meses - vão comprar ingredientes para uma carne guisada que a mãe está preparando. (Parcialmente legendado em inglês).




Gostei muito desse programa, e não só pela fofura dessas crianças e das reações inesperadas delas, mas também da ideia de criar um senso de responsabilidade dessa forma. Esse canal aqui tem vários vídeos do programa, mas é só procurar na busca do YouTube que aparecem muitos outros.

Tag: Livros que deveriam virar filmes ou séries de TV

11 de setembro de 2013

Como eu (não) havia prometido - se eu tivesse, tenho certeza de que não estaria postando hoje -, lá vai outra tag do The Broke and the Bookish, dessa vez sobre livros que eu gostaria que virassem filmes ou séries de TV.

Eu costumava ser bem crítica das adaptações dos meus livros favoritos, mas agora sou mais relaxada com isso. Não que eu finalmente tenha compreendido que livros e filmes (e séries!) são meios diferentes, que nunca ou muito dificilmente serão 100% fieis ao material de origem e que por isso não devem ser comparados minuciosamente. Não, não... É por ter me decepcionado já tantas vezes, mas tantas vezes, que aprendi a não criar mais expectativas. Sério: Não. Crie. Expectativas.


1. O Cemitério dos Livros Esquecidos - Carlos Ruiz Zafón
Começando a lista com uma das minhas trilogias favoritas, mas já sabendo que o autor admitiu numa entrevista que seus livros nunca virariam filmes, que nem tudo que é publicado precisa de uma adaptação e que a melhor visão cinematográfica de seus livros está na mente do leitor. Sim, eu concordo com os motivos do Zafón, mas isso não diminui em nada a minha vontade de ver esses livros sendo adaptados, nem que depois eu fique reclamando para quem quiser ouvir que os livros são infinitamente melhores que qualquer filme por aí... Vai entender.


2. Quem é Você, Alasca? - John Green
Nesse post aqui o John explica que os direitos do livro já foram vendidos e que o roteiro, escrito pelo Josh Schwartz (criador e produtor de The O.C. e produtor de Gossip Girl), já está pronto. Isso desde 2011! Provavelmente, o filme vai ficar no limbo por muitos anos ainda e nunca vai ser lançado, OU, e aqui estou sendo bastante otimista: o filme de A Culpa é das Estrelas vai fazer tanto sucesso que vão querer lançar todos os livros do John como filmes!


3. Anna e o Beijo Francês - Stephanie Perkins
Eu acho esse livro simplesmente adorável, e adoraria ver uma adaptação para o cinema mostrando vários lugares que gostaria de visitar em Paris. Mentira, eu queria mesmo era ver quem seria o ator escolhido para interpretar o Étienne St. Clair!


4. O Motivo (Mundo em Caos, #1) - Patrick Ness
Enquanto lia, não conseguia parar de pensar em como esse livro daria um filme interessante. Achei que seria impossível, ou pelo menos muito difícil, mostrar em um filme os pensamentos de tantas pessoas ao mesmo tempo, mas assim que terminei de ler, descobri que a Lionsgate já comprou os direitos de adaptação. Agora é só esperar!


5. Os Mistérios de Heather Wells - Meg Cabot
Essa série de livros foi uma completa surpresa para mim. Vendo as capas e os outros livros da autora, não dá nem para imaginar que é uma série de mistério policial voltado para o público adulto! Sou apaixonada pela personagem principal, acho a Heather hilária e tão fora do comum, e acho que seria muito divertido uma adaptação.

Pronto, depois de passar uma hora olhando a minha lista de livros lidos no Goodreads, descobri que quase todos esses livros tem adaptações já lançadas ou que vão ser lançadas ainda esse ano ou ano que vem! Agora, se me dão licença, tenho uma listinha aqui de filmes e séries para baixar assistir.

Tag: 10 citações de livros

4 de setembro de 2013


O blog The Broke and the Bookish bola um meme literário diferente toda terça-feira, chamado de Top Ten Tuesday. Como eu adoro listar coisas (e fazer listas de coisas que preciso listar), pensei em tentar responder toda semana as tags que eles lançam por lá. Escolhi começar por uma mais antiga, das minhas dez citações favoritas de livros, em ordem aleatória de favoritismo:

1. A Luneta Âmbar - Philip Pullman
"Will refletiu sobre o que fazer. Quando você escolhe um caminho dentre muitos, todos os caminhos que você não segue são apagados como se fossem velas, como se nunca tivessem existido. Naquele momento todas as escolhas de Will existiam simultaneamente. Mas fazer com que todas elas continuassem existindo significava não fazer nada. Ele tinha que escolher, apesar de tudo."

2. Quem é Você, Alasca? - John Green
"Simples assim. De centenas de quilômetros por hora ao repouso em um nanossegundo. Eu queria tanto me deitar ao lado dela, envolvê-la em meus braços e adormecer. Não queria transar, como nos filmes. Nem mesmo fazer amor. Só queria dormir com ela, no sentido mais inocente da palavra. Mas eu não tinha coragem. Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu era garoa e ela, um furacão."

3. O Restaurante no Fim do Universo - Douglas Adams
"Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável. Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.”

4. Walden, ou, A Vida nos Bosques - Henry David Thoreau
"Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os fatos essenciais da vida, e ver se podia aprender o que tinha a me ensinar, em vez de descobrir à hora da morte que não tinha vivido. Não desejava viver o que não era vida, a vida sendo tão maravilhosa, nem desejava praticar a resignação, a menos que fosse de todo necessária. Queria viver em profundidade e sugar toda a medula da vida, viver tão vigorosa e espartanamente a ponto de pôr em debandada tudo que não fosse vida (...)"

5. Sandman: Entes Queridos - Neil Gaiman
“Você já amou? É horrível, não? Você fica tão vulnerável. O amor abre o seu peito e abre o seu coração e isso significa que qualquer um pode entrar em você e bagunçar tudo. Você ergue todas essas defesas. Constrói essa armadura inteira, durante anos, para que nada possa lhe causar mal. Aí uma pessoa idiota, igualzinha a qualquer outro idiota, entra em sua vida. Você dá a essa pessoa um pedaço seu, e ela nem pediu. Um dia, ela faz alguma coisa besta como beijar você ou sorrir, e de repente sua vida não lhe pertence mais. O amor faz reféns. Ele entra em você. Devora tudo que é seu e lhe deixa chorando na escuridão. E então uma simples frase como ‘talvez devêssemos ser apenas amigos’ se transforma em estilhaços de vidro rasgando seu coração. Isso dói. Não só na sua imaginação ou mente. É uma dor na alma, uma dor no corpo, é uma verdadeira dor-que-entra-em-você-e-o-destroça-por-dentro. Nada deveria ser assim, principalmente o amor. Odeio o amor.”

6. Shatter Me - Tahereh Mafi (Em português, "Estilhaça-me")
“I spent my life folded between the pages of books.
In the absence of human relationships I formed bonds with paper characters. I lived love and loss through stories threaded in history; I experienced adolescence by association. My world is one interwoven web of words, stringing limb to limb, bone to sinew, thoughts and images all together. I am a being comprised of letters, a character created by sentences, a figment of imagination formed through fiction.”

7. A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera
"Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? E isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo esboço não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro."

8. A Menina que Roubava Livros - Markus Zusak
"Tive vontade de dizer muitas coisas à roubadora de livros, sobre a beleza e a brutalidade. Mas que poderia dizer-lhe sobre essas coisas que ela já não soubesse? Tive vontade de lhe explicar que constantemente superestimo e subestimo a raça humana - que raras vezes simplesmente a estimo. Tive vontade de lhe perguntar como uma mesma coisa podia ser tão medonha e gloriosa, e ter palavras e histórias tão amaldiçoadas e tão brilhantes."

9. A Sombra do Vento - Carlos Ruiz Zafón
"Cada livro, cada volume que você vê, tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas, seu espírito cresce e a pessoa se fortalece."

10. Mrs. Dalloway - Virginia Woolf
"A beleza, o mundo parecia dizer. E como para prová-lo (cientificamente) em qualquer lugar que ele olhasse, as casas, as grades, os antílopes se esticando por cima das cercas, a beleza brotava instantaneamente. Observar uma folha tremulando ao sopro do vento era uma alegria extraordinária. No céu ao alto andorinhas mergulhando, guinando, arremetendo cá e lá, em voltas e mais voltas, mas sempre com um controle perfeito como se estivessem presas por elásticos; e os insetos subindo e descendo; e o sol manchando ora esta, ora aquela folha, de brincadeira, ofuscando-a com um ouro suave de puro bom humor; e de novo algum repique (podia ser a buzina de um carro) ressoando divinamente nos fios de capim – tudo isso, calmo e sensato como era, feito de coisas comuns como era, era agora a verdade; a beleza, que era agora a verdade. A beleza estava por toda parte."

Acho que me empolguei um pouquinho, não? O problema é que eu tenho citações favoritas demais, e ainda acabei deixando um monte de lado. Depois eu faço um só com frases mais curtas também.

O Manual do Leitor Obsessivo-Compulsivo

2 de setembro de 2013

Aceite recomendações de livros de amigos, familiares e até de pessoas desconhecidas, como do ascensorista do prédio em que você fazia o curso de corte e costura. O livro favorito de um pode se tornar o seu favorito um dia. Procure também por listas dos melhores livros de todos os tempos, dos 1001 livros que você precisa ler antes de morrer e também dos melhores livros do século XX de acordo com a BBC.

Liste todos esses livros, de preferência em sites como Skoob e Goodreads, mas pode ser também em um caderninho. Aproveite e use um daqueles que você adora comprar, mas acaba nunca usando e deixa acumulando por aí. O importante é não deixar de catalogá-los em inúmeras categorias, como "Romances Paranormais Sobre Vampiros", "Distopias Pós-Apocalípticas Young Adult" ou "Livros de Autores que Começam com a Letra P", entre outras.

Ignore completamente a sua lista e comece a ler livros aleatoriamente. Pode ser um que você tenha topado por acaso na livraria, que tenha a capa bonita e um título interessante, mas você deve nunca ter ouvido falar. Você simplesmente gostou da sinopse e decidiu ler repentinamente.

Fique empolgado irremediavelmente pela história. Esqueça de comer, beber água e até de ir ao banheiro se for preciso. Dormir é algo desnecessário durante esse processo, então durma apenas o mínimo para continuar a leitura, o que não deve passar de umas quatro horas por noite. Não que você vá dormir cedo, e sim apenas quando o sol já estiver nascendo e os passarinhos que têm residência permanente na caixa do ar-condicionado do seu quarto começarem a cantar.

Deixe de fazer qualquer atividade que não envolva ler o livro, respirar as suas páginas ou analisar quais seriam os atores ideais para interpretar os personagens numa possível adaptação da história. Não se esqueça também de inventar desculpas bem fundamentadas para não sair com os seus amigos para o boliche ou ir ao cinema - exceto se for uma adaptação de alguma obra que você já tenha lido. Também não atenda o telefone ou converse pela internet, apenas se for para trocar ideias sobre o que você está achando do livro.

Ao terminar o livro ou série de livros que estiver lendo, não se esqueça de sentir um vazio insubstituível no seu ser. Se você for do tipo emotivo, não deixe de chorar ao terminar de ler e de se perguntar como será a sua vida daqui para frente. Esse é o momento ideal para recomendar a obra para toda e qualquer pessoa que estiver nas proximidades e souber ler.

Caso o desespero seja muito grande, recorra a fanfics. Se não encontrar uma que goste, cogite a possibilidade de escrever a sua. Perca horas no Tumblr vendo fanarts, lendo teorias e comentários de outras pessoas e fazendo uma lista do seu elenco dos sonhos. Repita para si mesmo: "Não é apenas uma história", no mínimo 10 vezes por dia. Ignore qualquer familiar ou amigo que tentar dizer o contrário.

Gaste o pouco dinheiro que você conseguir juntar durante o mês para comprar mais livros, mesmo que você não tenha mais espaço para guardá-los em casa. Se for preciso, deixe até de comer, mas não deixe de comprar mais e mais livros. Sinta uma dor no coração por estar sempre atrasado com as suas metas de leitura e, por último, tente se conformar com o fato de que você nunca vai conseguir ler todos os livros que gostaria antes de morrer.

Welcome to Night Vale

22 de agosto de 2013

Welcome to Night Vale (em português, "Bem Vindo ao Vale da Noite") é um podcast quinzenal produzido pela Commonplace Books que descobri pelo Tumblr. Fiquei viciada nesse podcast nessas últimas semanas e sabe como é quando me vicio em algo, quero sair mostrando para todo mundo que conheço na esperança de outras pessoas se viciarem também (e ter com quem conversar sobre o mesmo assunto!).

O podcast é no formato de um programa de rádio, com notícias, pronunciamentos policiais, previsões do tempo e outros acontecimentos de uma cidadezinha fictícia do interior dos Estados Unidos chamada Night Vale. O apresentador do programa, Cecil Baldwin, narra todas as coisas muito estranhas que acontecem nessa cidade, mas com a maior naturalidade do mundo, o que torna tudo mais interessante.

Por exemplo, anjos que foram morar na casa de uma velhinha (a Old Woman Josie) e como eles até ajudaram na troca de lâmpadas da casa dela, ou sobre o aparecimento repentino de uma Nuvem Brilhante em várias cores e que chove pequenos animais mortos, ou como o novo parque para cães não é para cães, nem para humanos (NÃO ENTRE NO PARQUE!), e outras bizarrices do tipo.

O melhor de tudo é que é de graça, você pode ouvir pelo iTunes ou também fazer o download por aqui. E se o seu inglês não estiver assim tão afiado, você encontra transcrições de todos os episódios lançados até agora aqui (transcritos pelos incríveis fãs do podcast) e pode assim praticar o tal do shadow reading.

Episódios novos são lançados todo dia 1º e 15º de cada mês e duram entre 20 a 30 minutos, então não é tão longo assim a ponto de ficar cansativo. Dá para ouvir no ônibus ou no carro no caminho da faculdade/trabalho, ou em casa antes de dormir - mas cuidado, a voz de Cecil pode ser extremamente calmante às vezes e te induzir ao sono! /true story

Além disso, as previsões do tempo não são exatamente previsões, mas sim músicas legais de bandas não muito conhecidas, então você acaba conhecendo bandas e cantores novos! Todas essas músicas (e onde encontrar mais sobre as bandas) estão listadas aqui.

Outra coisa legal do podcast é que trata sobre um romance gay, entre Cecil e Carlos (o novo cientista de Night Vale, que tem os cabelos e os dentes perfeitos - na verdade, ele todo é perfeito) como algo completamente normal. Para ser sincera, essa deve ser a coisa mais normal que aparece em toda a história.

Mas o mais legal de tudo mesmo são os gráficos e os cosplays feitos pelos fãs. Como não há descrições muito específicas (não sabemos nem se Cecil é humano mesmo!), a imaginação rola solta e é muito interessante observar como as pessoas idealizam os personagens! Não, sério, fizeram até mapas da cidade baseados nas localizações dadas nos episódios (como aqui e aqui), e olha quanta fan art incrível!

O Twitter do podcast, no ar desde agosto do ano passado e atualizado pelos escritores Joseph Fink e Jeffrey Cranor, também é legal de acompanhar! Exemplo:

via night--vale
via night--vale
via spockling
Enfim, é isso. Eu recomendo muito ouvir, se você puder, é claro. É algo completamente diferente de qualquer coisa que eu tenha conhecido antes e, como disse no início, é viciante mesmo.
Leia também:
The 42 Stages Of "Welcome To Night Vale" Addiction (via Buzzfeed)
11 Burning Night Vale Questions Answered By Cecil (via Buzzfeed)
Welcome to Night Vale, the #1 Podcast on iTunes You Didn’t Know Existed (via Wired)
America's Most Popular Podcast: What The Internet Did To "Welcome to Night Vale" (via TheAwl)

O que eu li nos últimos três meses (e o que estou lendo no momento)

25 de julho de 2013

Acordei hoje com uma vontade de finalmente testar o modo manual da câmera! Depois de várias tentativas, acabei desistindo de me tornar uma fotógrafa da noite pro dia e por isso as fotos ficaram nesse tom azulado mesmo. Eu pretendia falar sobre cada livro aqui, mas depois percebi que eram livros demais e que esse post nunca sairia de tão longo, então vou fazer só um breve comentário. Chegando na metade do Desafio Literário, estou até saindo bem, só 2 livros atrás da meta inicial de 50, mas acho que dá para alcançar!

Dragão Vermelho, por Thomas Harris 
Na verdade, li esse livro em abril, então não devia entrar nesse post, mas tarde demais...

On Writing, por Stephen King
Livro fantástico, meio autobiográfico e cheio de dicas para o aspirante a escritor. Apenas o segundo livro que li do autor, mas já sinto uma grande conexão que nem sei explicar! Recomendo muito, muito, muito!

Por Favor, Cuide da Mamãe, por Kyung-Sook Shin
Eu precisava muito ler esse livro e nem sabia. Comprei por impulso, porque estava na promoção e tinha ouvido falar vagamente sobre o título e que era bom. Ainda bem, mudou algo em mim e eu nunca mais fui a mesma.

A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista, por Jennifer E. Smith
Um livro divertido, nada extraordinário, mas que é gostoso e fácil de ler.

Um Bestseller Pra Chamar de Meu, por Marian Keyes
Adorei! Apesar de ser meio grandinho, li quase que numa tacada só. Nem vou dizer que literatura chick-lit tipo essa é uma guilty pleasure, pois não tenho vergonha alguma em falar que adoro!

O Prisioneiro do Céu, O Jogo do Anjo, Marina e O Príncipe da Névoa, por Carloz Ruiz Zafón
Comprados numa promoção também, me deixaram apaixonada pela escrita do Zafón. Apesar de nenhum ser tão incrível quanto A Sombra do Vento, foram leituras muito interessantes - e até um pouco assustadoras... Sério, eu me arrepiei demais lendo O Príncipe da Névoa e Marina, e olha que são livros infanto-juvenis!

A Menina do Vale, por Bel Pesce
Já falei sobre a Bel Pesce e um pouquinho sobre o livro dela aqui!

The Amber Spyglass, por Phillip Pullman (His Dark Materials, #3)
Acho que essa série merece um post exclusivo, então nem vou falar nada aqui.

The Rosie Project, por Graeme Simsion
O livro veio autografado! Li em uma dia, muito engraçado e diferente e me fez lembrar muito de mim mesma e do Sheldon, de The Big Bang Theory.

E o que estou lendo no momento:

Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, por Jonathan Safran Foer
Comecei ontem, então nem tem muito o que falar. Só vi um pedaço do filme e não conheço bem a história,  mas já tenho uma noção de como é. Levei um susto enorme quando vi essa parte toda rabiscada de caneta, até perceber que, não, minha cópia não veio usada, o livro é assim mesmo!

The Vintage Guide to Classical Music, por Jan Swafford
Eu não sei muita coisa sobre música. Na verdade, eu não sei nada mesmo. Li uma resenha uns anos atrás sobre esse livro, entrou pra minha lista e comprei numa promoção assim aleatória do Book Depository. Estou gostando muito, mas lendo bem devagar, para poder acompanhar ouvindo as composições no Youtube!

A Invenção das Tradições, por Eric J. Hobsbawn
O meu sonho era ler todas as "Eras" escritas por Hobsbawn, mas acabei começando por esse mesmo. Não é assim uma leitura necessariamente divertida, mas acho esse assunto bem legal e então vou lendo aos pouquinhos.

Links Interessantes da Semana 19/07/13

19 de julho de 2013

Para Praticar e Melhorar o Inglês: Reading (Parte I)

14 de julho de 2013

Esse é um post que eu venho tentando escrever faz tempo. Basicamente, o que quero mostrar aqui é como eu estudo inglês em casa para não esquecer do que já aprendi e, claro, aprender coisas novas. Não vou falar sobre qual o melhor curso ou quais são as gramáticas essenciais nem nada do tipo, e sim como é possível melhorar o seu inglês praticando todos os dias.

Não tem nenhum segredo, para melhorar a sua leitura e compreensão em inglês você precisa... ler! Se você só está começando e acha que ainda não está pronto(a) para ler autores como Charles Dickens ou Jane Austen no original, não se preocupe. Várias editoras possuem livros do tipo graded readers, que são livros escritos de maneira simplificada e, assim, mais fáceis de compreender.

A maioria das editoras que publicam livros desse tipo possuem diversos níveis de acordo com o vocabulário, a complexidade das estruturas gramaticais e também pelo número de palavras. Além disso, na maioria das vezes elas ainda disponibilizam um CD com atividades e exercícios relacionados à história e/ou também com o audiolivro, tornando possível fazer shadow reading (ler acompanhando o áudio, o que ajuda a reforçar a pronúncia e a entonação adequada das palavras).

A Penguin Books, editora que conheço melhor, tem quatro séries de livros do tipo: Penguin Kids, Penguin Young Readers, Penguin Active Reading e Penguin Readers. Assim, os livros da série Penguin Readers, por exemplo, vêm em 7 níveis diferentes, cada um correspondendo a uma dificuldade e com um número máximo de palavras (de acordo com a imagem ao lado).

O site da Extensive Reading Foundation (ERF), uma fundação beneficente e sem fins lucrativos que apoia e promove a leitura, fornece uma lista de várias editoras que possuem séries do tipo graded readers, como a Penguin Books, a Cambridge U. Press e a Oxford U. Press, entre outras. Lá, é possível encontrar também uma lista dos títulos publicados por cada uma dessas editoras, classificados por nível (e ainda uma tabela comparando as diferentes classificações usadas pelas editoras).

Agora, onde encontrar livros desse tipo? Se você fizer algum curso de inglês e tiver acesso a uma biblioteca, recomendo pegar emprestado um livro desses sempre que possível. Você pode também encontrar em sites como Book Depository, Amazon e Livraria Cultura. (Ou você pode procurar para download gratuito, mas você não leu isso aqui. *cof cof*).
Capítulo 1 do livro "The Adventures of Tom Sawyer": versão original (Projeto Gutenberg) vs. Penguin Readers Level 1
Se quiser ler na versão original, recomendo muito o Projeto Gutenberg, uma biblioteca digital onde é possível encontrar mais de 43.000 livros gratuitos. Você pode ler os livros online, como também fazer o download em diferentes formatos (tipo Epub e Kindle). Não sabe por onde começar? Veja a página dos livros mais baixados aqui. Lembrando que não é possível encontrar livros muito recentes por lá, e sim aqueles que já tiveram os direitos autorais expirados.
Veja também:
Diretório de bibliotecas digitais
Ranking das melhores bibliotecas digitais do mundo
The Online Book Page
Histórias em quadrinhos, tirinhas, graphic novels e mangás também são ótimos para praticar a leitura em inglês. Os diálogos são mais curtos e as ilustrações ajudam na compreensão (mas também podem ser cheias de gírias e expressões idiomáticas, o que pode dificultar as coisas...). Para quem tiver interesse:

Webcomics que acompanho:
Incidental Comics - Coisas do dia a dia, observações sobre arte e criatividade
Cat versus human - Comics hilárias inspiradas na vida de Yasmine e seus gatinhos
Scandinavia and the World - Se os países fossem pessoas, como seriam os seus relacionamentos?
xkcd (Explain xkcd wiki) - "Um webcomic de romance, sarcasmo, matemática e linguagem"
Zen Pencils - Citações inspiradoras de pessoas famosas adaptadas em forma de comics
Monica's Gang - Quadrinhos da Turma da Mônica traduzidos para o inglês

Comic books & Graphic Novels:
167 Places For Free Comic Books And Graphic Novels Online
Stream Comics
The Collins Compendium of Free Online Comic Books

Mangás:
Manga Fox
Batoto
Manga Traders
Outras forma de praticar a leitura em inglês é através de jornais, revistas, blogs e sites. Se quiser receber revistas internacionais em casa, no site Assine Shop é possível assinar revistas como The Economist, Time, Vogue, Marie Claire, Allure, Elle, Dazed and Confused, entre outras, com o preço parecido ao encontrado nas bancas aqui no Brasil, mas você pode fazer a assinatura indo direto no site da revista que sai bem mais barato. Para mim, a melhor opção para quem quer o conteúdo completo (de forma legal), não acumular papel e gastar bem menos é fazer a assinatura da versão digital da revista. No Zinio, por exemplo, você faz o download da revista para o computador ou usa um aplicativo específico para Android, Apple iOS ou Windows 8, com mais de 5.500 revistas do mundo inteiro.
Selecionei três revistas que tenho interesse em assinar, só para comparar os preços aqui. Bem mais em conta comprar na Zinio, não? Também acho que blogs e sites dependem muito das preferências de cada um, mas se quiserem indicações, recomendo dar uma olhada na página de Links aqui do blog.

Você ainda pode praticar a sua compreensão e melhorar a leitura em inglês assistindo séries e filmes com legendas em inglês. Isso funciona muito bem com programas que você já viu antes e por isso já tem uma noção do que acontece, passando a se concentrar mais no que é dito. Agora, se quiser "aumentar a dificuldade", experimente ver sem legendas. No início, pode parecer quase impossível, mas com o tempo você percebe que vai ficando mais fácil (e quando menos espera, está vendo vídeos de humor do Kevin Bridges sem pausar!).

E, para terminar, você pode praticar lendo as letras das músicas que gosta de ouvir em inglês. Estava em dúvida se deveria falar sobre isso neste post ou no sobre o Listening, mas decidi colocar aqui. Então, você pode escutar a música e tentar transcrevê-la, mas tomando cuidado com as gírias e neologismos que muitas letras tem, ok? Para isso, o Letras Terra serve muito bem.

Enfim, acho que é só isso que tenho para falar sobre a parte de Reading. Nos próximos posts vou falar um pouco sobre o Listening, Writing e Speaking, senão esse aqui ia ficar muito longo. Se alguém tiver alguma indicação ou sugestão a fazer, é só deixar nos comentários!

Livros Reconfortantes

8 de junho de 2013

Eu fui tagueada por Luciana (faz muuuito tempo!) para falar sobre livros reconfortantes, mas só agora tive coragem tempo de responder:

1. Qual livro tem o poder de despertar memórias boas da sua infância? "O Pequeno Príncipe", de Antoine Saint-Exupéry. Temos uma edição aqui em casa de 1987 (!), bem velhinha, com a capa remendada. Foi um dos primeiros livros que li na vida, e com isso quero dizer "folheei fingindo entender alguma coisa porque eu achava que ler era algo chique". Mas sim, eu reli várias vezes, até a edição em francês ano retrasado. E é o motivo pelo qual eu fico super emocionada sempre que vejo um baobá de verdade...

2. E da sua adolescência? A série Harry Potter, sem dúvida! Até lembro do dia em que meu pai chegou em casa com um embrulho que mais parecia uma caixa de chocolate, mas na verdade continha os primeiros livros da série (admito ter ficado um tanto desapontada, a chocólatra aqui). A parte mais legal dessa história toda não foi nem a história dos livros em si (que é muito boa, por sinal!), mas as amizades que eu fiz com outros fãs, e como a gente sempre se reunia no único cinema de Petrolina para ver os filmes no dia da estréia e outros momentos assim.

3. Um livro que você relê sempre para te trazer bons sentimentos. Eu não tenho o hábito de reler muitos livros, apesar de achar que fazendo isso você acaba descobrindo coisas novas e tendo percepções diferentes de uma mesma história (ainda mais se você ler depois de alguns anos). Os únicos livros que lembro de ter relido ad-infinitum foram os de Harry Potter, a ponto de saber de cor várias partes...

4. Qual seu gênero literário mais reconfortante? Acho que livros do tipo "chick lit", apesar de simplesmente detestar esse termo. [Já reparou que quando um livro tem um grande apelo ao público masculino tem sempre um gênero do tipo "suspense", "aventura", "mistério", mas quando é voltado para um público feminino, é simplesmente chamado de "chick lit"? Bethanne Patrick escreveu um artigo interessante exatamente sobre isso lá no Huffington Post (em inglês)].

5. Qual o seu escritor mais "reconfortante"? Ah, não sei mesmo. O que seria um escritor reconfortante? Bem, acho que o mais próximo seria Douglas Adams, que me fez rir muito com a série d'O Guia do Mochileiro.

6. E a escritora que você procura quando quer conforto para a alma?
Estou achando essas perguntas muito profundas, rs. Não sei, talvez Martha Medeiros. Sempre me sinto bem melhor depois de rir muito com as crônicas dela.

7. Um livro para dias de fúria. Esse aqui eu também não entendi. É para quando eu estou furiosa e quero me acalmar? Ou um livro que me deixa furiosa? Se for a primeira pergunta, provavelmente seria uma leitura leve, feito Agatha Christie ou Conan Doyle.

8. Um livro para momentos de tristeza ou melancolia. Nem me dá vontade de ler quando estou assim, mas acho que leria os livros do Petit Nicolas, que sempre me deixam com um sorriso no rosto. Mas se for para me deixar mais triste ainda, eu leria algum livro do tipo "A Menina que Roubava Livros", ou "O Menino do Pijama Listrado", ou "Um Dia", ou qualquer outro livro que me fizesse chorar feito uma madalena...

9. Um livro que remete a algum momento muito bom da sua vida (e por quê). Ah, os livros do John Green, que me aproximaram mais ainda da Nerdfighteria (esse momento ainda está "em trânsito", serve mesmo assim?).

10. Um livro para provocar emoções boas: Concordo com Luciana, essas perguntas estão meio repetitivas, não? Enfim, eu leria novamente a série "O Cemitério dos Livros Esquecidos", que me fez passar por uma montanha-russa de emoções.

Ainda tenho outra tag para responder, da My Cinnamon Heart, que até já comecei o rascunho, mas eu demoro tanto escrevendo posts assim!

À la folie... pas du tout (2002)

29 de maio de 2013

Outro dia, no francês, fomos assistir um filme com a Audrey Tautou (sim, aquela mesma atriz de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain"). O filme era sobre uma estudante de Arte que estava apaixonada por um cardiologista, que era casado com uma advogada (que, ainda por cima, estava grávida). A personagem interpretada pela Audrey, chamada Angélique, passa a primeira parte do filme fazendo de tudo para que esse médico, o Dr. Loïc Le Garrec, se separe da esposa para ficar com ela. E quando digo que ela faz de tudo, eu realmente quero dizer de tudo, a ponto de virar uma obsessão.

E não tem como eu falar aqui se Angélique tem sucesso ou não nessa empreitada sem dar spoilers, pois a graça do filme está exatamente em não saber ABSOLUTAMENTE nada do que vai acontecer. A única coisa que posso dizer sem comprometer a sua diversão é que o filme não é como você espera que seja. Não é simplesmente uma comédia romântica fofinha, daquelas pra assistir no dia dos namorados, apesar de qualquer impressão que você possa ter. Eu me diverti horrores, dei risadas e tive até alguns sustos, e definitivamente não esperava - nunca, nunquinha - que o filme fosse acabar do jeito que acabou.

Pronto, isso é tudo. Agora vá lá assistir o filme, que prometo que você não vai se arrepender*. Eu já vi três vezes seguidas e acredito que ainda consigo ver umas sete vezes mais antes de começar a enjoar. Encontrei legendado em português para download aqui.

Enfim, ainda descobri uma curiosidade para adicionar à minha pasta mental de "cultura inútil", mas que acaba sendo muito útil em festas e mesas de bar. Sabe aquela brincadeira do "bem-me-quer, mal-me-quer", de arrancar as pétalas de uma flor (tadinha!) pra descobrir se a pessoa amada corresponde ao seu amor? Pois ela tem origem francesa (chamada "effeuiller la marguerite") e, sinceramente, eles possuem muito mais opções do que nós! Veja só, a frase em francês é assim:
"Il m'aime un peu, beaucoup, passionnément, à la folie, pas du tout..."
Traduzindo, seria algo como "Ele me ama um pouco, muito, apaixonadamente, loucamente, nenhum pouco". Os resultados potenciais são muito maiores... Estou indignada!

Mas não são só os franceses, os poloneses também tem mais opções que nós! Para eles, seria algo como:
"Ele/ela me ama... ele/ela gosta de mim... ele/ela me respeita... ele/ela não me quer... ele/ela não se importa... ele/ela tira sarro de mim... na sua mente... em sua fala... em seu coração... no altar".
E eles não são os únicos! Outros que possuem mais opções do que nós, meros mortais, são os russos (e, pra mim, é a frase mais engraçada que vi até agora). Pode ser traduzida mais ou menos assim:
"Ele/ela me ama... não me ama... cospe em mim... me beija... me pressiona em seu coração... me amaldiçoa".
Como é que pode uma coisa dessas?! Poderíamos ter mais algumas opções, não? Já consigo imaginar uma nova versão:
"Ele/ela me ama, só gosta de mim como amigo/amiga, ele/ela é um/uma idiota, ele/ela não sabe o que está perdendo...."
Hmm, OK... Acho que isso desandou um pouquinho.

*Em caso de sintomas de arrependimento após indicação de algum filme por meio deste blog, um médico deverá ser consultado.

Bel Pesce, a Menina do Vale | Pessoas que Inspiram

20 de maio de 2013

Conheci a história da Isabel Pesce Mattos quando uma prima minha me enviou um vídeo de uma palestra dela no Colégio ETAPA, em São Paulo, com mais de uma hora de duração - para ver "quando eu tivesse tempo". É claro que enrolei por um tempão, com a desculpa de que tinha que terminar a monografia (e tinha mesmo...), até que finalmente não pude mais adiar. Ainda bem que vi o vídeo e ainda posso dizer: veja você também! Apesar de um pouco longo, eu mal vi a hora passar.

Nessa palestra, a Bel, que tem apenas 24 anos, conta como foi todo o processo de ser uma das 100 pessoas selecionados anualmente para estudar no MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, apesar das circunstâncias. Lá, ela estudou engenharia elétrica, ciências da computação, economia, matemática e administração, e teve a chance de trabalhar para empresas como a Microsoft, Google e Deutsche Bank, até decidir ir morar no Vale do Silício e fundar a empresa em que trabalha no momento, a Lemon, responsável por um aplicativo de celular que serve como uma carteira virtual (você controla e organiza os seus gastos em cartões, notas fiscais e recibos tudo de forma virtual).

Assim que terminei de assistir esse vídeo, fui procurar saber mais sobre ela e não é que descobri que ela já tem até livro publicado? "A Menina do Vale - Como o empreendedorismo pode mudar a sua vida" era para ser apenas uma versão online e gratuita, mas fez tanto sucesso - mais de meio milhão de downloads em um mês - que as pessoas pediram uma versão impressa. Corri logo para comprar um volume e não me arrependo. O livro é bem fininho, tem apenas 157 páginas, e muito fácil de ler. A Bel fala sobre empreendedorismo de uma maneira bem introdutória e divertida, além de tirar algumas dúvidas que pessoas leigas - como eu - podem ter sobre o assunto. Por isso, acho que esse livro não é muito recomendado para quem já sabe bastante sobre essa área.



O mais legal é que os conselhos que ela dá não servem só para empreendedorismo, mas para outras áreas também. Estas são algumas das coisas que destaquei enquanto lia:
  1. Nunca é cedo demais ou tarde demais para começar a empreender. O que importa é a sua vontade de empreender e de trabalhar muito para alcançar os seus objetivos.
  2. É importante ter alguém que sirva de inspiração, isso ajuda a manter o foco e a não se esquecer das suas ambições.
  3. Leia pelo menos um livro sobre empreendedorismo por mês, para aprender coisas novas e entender como uma empresa pode crescer.
  4. Mais importante do que ter uma ideia genial é colocar em prática uma ideia genial.
  5. Não adianta criar soluções para problemas que não existem, mas também pode ocorrer de algumas pessoas não saberem que possuem problemas a resolver.
  6. Descubra quais são as suas paixões, mesmo que demore tentando encontrá-las. É muito mais fácil produzir quando se está apaixonado por aquilo que se faz.
  7. Seja uma pessoa aberta a novas experiências. Saia da sua zona de conforto, corra riscos, faça novas amizades e tente enfrentar os seus medos.
  8. Se estiver encontrando dificuldades no seu trabalho, não hesite em procurar compartilhar as suas dificuldades com outras pessoas.
  9. Seja uma pessoa humilde. Sempre.
  10. Aprenda com o seus erros. Pior mesmo é não tentar por medo de errar.
  11. Algumas pessoas, por mais amigas que sejam, vão tentar desencorajá-lo. Mantenha a sua determinição e não desista de seus objetivos.
  12. Nunca subestime o poder do networking.
Bel Pesce por aí:
Site oficial
Twitter
Facebook
Canal Brasileiros no Vale

Livros:
A Menina do Vale, de Bel Pesce (ler online)
Procuram-se Super-Heróis, de Bel Pesce (ler os 3 primeiros capítulos online)

John Green e o seu discurso de formatura na Universidade de Butler

17 de maio de 2013

Semana passada, o nosso querido João Verde John Green fez um discurso de formatura para a turma de 2013 da Universidade de Butler, uma universidade localizada em Indianápolis, Indiana. Como a minha própria colação de grau foi na terça-feira passada, sinto como se ele também estivesse falando para mim. Esta é uma tradução feita por mim do texto que ele colocou no Tumblr, que você pode conferir em inglês aqui, um pouquinho diferente da versão do vídeo logo abaixo.


O discurso dele começa no minuto 3:05

O meu próprio orador, que não deverá ser nomeado, começou com uma piada ruim sobre como esses discursos possuem apenas duas variedades: ou são curtos ou são ruins. Isso fez com que eu aumentasse as minhas expectativas, mas então ele falou durante 26 minutos. Assim, eu vou dizer-lhes agora: serão 12 minutos contados, 11min 45s se vocês não rirem.

Parabéns a todos vocês que estão aqui hoje, e eu realmente quero dizer todos vocês - pais, familiares, amigos, professores, treinadores. Cada pessoa em Hinkle hoje contribuiu para tornar esse momento possível para a turma de 2013 - bem, exceto eu. Eu só fiz aparecer e vestir este robe.

Mas um parabéns especial para vocês graduandos. Antes de chegarmos à parte deste programa de "Conselhos de Vida que Vocês Logo Esquecerão", eu quero participar de uma antiga tradição de discursos de formatura americanos: roubando de outros discursos de graduação, neste caso um feito pelo apresentador de televisão infantil Fred Rogers. Pense, se quiser, em algumas das pessoas que ajudaram você a chegar aqui hoje, pessoas que amaram você e que sem seu carinho e generosidade talvez você não se encontrasse hoje aqui, graduando pela Universidade de Butler, ou assistindo alguém que você ama graduar, ou vendo seus estudantes graduarem. Pense por um minuto naqueles que amaram você até o dia de hoje. Eu cuido do tempo.

(1 minuto de silêncio)

Estas pessoas estão tão orgulhosas de você hoje.

Nós retornaremos à elas logo, mas primeiro eu preciso lhes dar uma péssima notícia: vocês todos irão morrer. Esta é uma outra antiga tradição de celebrações americanas, a "Chovendo no Desfile". Eu me lembro quando me casei, o padre passou a maior parte da homília me dizendo o quão desafiador e trabalhoso seria o casamento, e eu ficava pensando, "Bem, com certeza, mas não poderíamos falar sobre isso, sei lá, AMANHÃ?". Mas não, não podemos simplesmente esperar. Você irá morrer. Além disso, tudo o que você fizer e pensar e experimentar será lavado pelas areias do tempo, e o Sol explodirá e ninguém se lembrará de Cleópatra governando o Egito ou de Crick e Watson descobrindo a estrutura do DNA ou de Ptolomeu compreendendo as estrelas ou ainda daquele jogo improvavelmente incrível dos Gonzaga [Bulldogs].

Então, isso é lamentável.

Mas eu diria que é bom estar ciente da temporalidade quando você está pensando sobre o que você quer fazer da sua vida. Toda a ideia deste discurso de formatura é que eu deveria oferecer a vocês alguns pensamentos sobre como você talvez viva uma vida boa lá fora, no chamado "Mundo Real", que, por sinal, eu garanto não é mais ou menos real do que aquele em que vocês já se encontram. Mas eu não posso dar nenhum conselho sobre como viver uma vida boa sem e até nós estabelecermos o que constitui uma vida boa. Claro, isto é muito do que vocês andaram fazendo durante os últimos quatro anos, e eu não vou chegar aqui no final com revelações interessantes. Eu gostaria apenas de apontar que o pressuposto padrão é de que o sentido da vida humana é ser o mais sucessido possível, adquirir muita fama ou glória ou dinheiro, como definido por métricas quantificáveis: pelo número de seguidores no Twitter, ou de amigos no Facebook, ou de dólares na sua 401(k).

Essa é a jornada do herói, certo? O herói começa sem dinheiro algum e termina com um monte, ou começa como um patinho feio e se transforma em um belo cisne, ou começa como uma garota desajeitada e se torna uma mãe vampira, ou cresce como um orfão vivendo debaixo da escada e então se torna o bruxo que salva o mundo. Nós somos ensinados que a jornada de um herói é a jornada da fraqueza à força. Mas eu estou aqui hoje para lhes dizer que estas histórias estão erradas. A verdadeira jornada do herói é a jornada da força à fraqueza.

E aqui está a boa notícia aninhada à má: muitos de vocês, a maioria de vocês, estão prestes a fazer esta jornada. Vocês deixarão de ser os estudantes mais bem informados e mais engajados em uma das melhores universidades que existe para ser uma pessoa que trás café para outras pessoas, ou um garçom num Steak n Shake, como uma vez eu fui. Quer você seja um jogador de basquete ou um farmacêutico ou um designer de software, você está prestes a ser um novato. As perguntas que seus pais vêm fazendo - o que exatamente se pode FAZER com uma graduação em Antropologia? - se tornarão problemas de relevância súbita e profunda. Os seus empréstimos estudantis vencerão e você precisará de uma resposta muito boa para o motivo exato de você ter ido para a faculdade, cuja resposta você demorará a chegar enquanto você se senta em seu trabalho, desde que você seja sortudo o suficiente para conseguir um emprego, e sofre a indignidade de pessoas o chamarem pelo nome errado ou, se você for forçado a usar uma etiqueta com seu nome, ter pessoas chamando você pelo nome certo vezes demais.

Esta é a verdadeira missão do herói: da força à fraqueza. E porque você foi para a faculdade, você se tornará mais vivo à experiência, mais capaz de contextualizá-la e até mesmo de encontrar as alegrias e maravilhas escondidas no meio da labuta desumanizante. Por exemplo, quando eu era um operador de Data Entry profissional, muitas vezes me lembrava da brilhante carta de demissão de William Faulkner do United States Postal Service, que é assim:

Enquanto eu viver sob o sistema capitalista, eu espero ter minha vida influenciada pelas demandas de pessoas endinheiradas. Mas eu serei amaldiçoado se eu me propor a obedecer cegamente* cada canalha itinerante que tem dois centavos para investir em um selo postal. Este, senhor, é o meu pedido de demissão. William Faulkner.

Ter lido esta carta em uma biografia de Faulkner na faculdade não tinha nada a ver com o meu trabalho de escrever números em um banco de dados, mas ainda assim foi profundamente útil para mim. A educação fornece contexto e conforto e acesso, não importa a relação entre o seu campo de estudo e a sua vida pós-faculdade.

Mas, ainda assim, você provavelmente será um ninguém por um tempo. Você fará aquela jornada da força à fraqueza, e mesmo que não seja uma viagem fácil, será heróica. Pois, aprendendo a ser um ninguém, você aprenderá a não ser um idiota. E, para o resto da sua vida, se você for capaz de se lembrar da sua jornada de herói de recém graduado à subalterno, você será menos de um idiota. Você dará boas gorjetas. Você sentirá empatia. Você será um mentor, e um mentor generoso. Em suma, você se tornará aquelas pessoas que você imaginou em silêncio alguns minutos atrás.

Deixe-me apresentar-lhe a verdadeira definição de uma vida boa. Você quer ser o tipo de pessoa que outras pessoas - pessoas que talvez não tenham nem nascido ainda - pensarão em seus momentos de silêncio alguns anos a partir de agora nos seus próprios discursos de formatura. Eu vou arriscar um palpite de que relativamente poucos de nós fechamos nossos olhos e pensamos em todo o trabalho e amor que Selena Gomez ou Justin Bieber tiveram em tornar este momento possível para nós. Nós podemos ser ensinados que as pessoas para admirar e emular são atores e músicos e heróis do esporte e pessoas profissionalmente famosas, mas quando nós olhamos para as pessoas que nos ajudaram, as pessoas que realmente mudaram as nossas vidas, relativamente poucas delas são celebradas publicamente. Nós não pensamos no dinheiro que elas tiveram, mas na sua generosidade. Nós não pensamos em quão bonitas ou poderosas elas eram, mas em como elas estavam dispostas a se sacrificar por nós - tão dispostas, às vezes, que nós podemos até nem mesmo ter percebido que elas estavam fazendo sacrifícios.

Então, com isso em mente, eu gostaria de compartilhar algumas coisas que eu acredito ser bons conselhos sobre a vida adulta ou algo assim:

Em primeiro lugar, não se preocupe demais com o seu gramado. Você logo descobrirá, se ainda não descobriu, que quase todo adulto americano dedica tempo e dinheiro tremendos para manter uma espécie de planta invasiva chamada relvado que nós não consumimos. Eu encorajo-lhe a escolher obsessões melhores.

Além disso, você talvez tenha ouvido falar que é melhor queimar do que se apagar aos poucos. Isto é ridículo. É muito melhor se apagar aos poucos. Sempre. Apague-se. Aos. Poucos.

Continue lendo. Especificamente, leia os meus livros, de preferência em capa dura. Mas também continue a ler outros livros. Você provavelmente já descobriu que a educação não é realmente sobre notas ou sobre conseguir um emprego; é, principalmente, sobre tornar-se um observador mais atento e engajado do Universo. Se isso acabar com o fim da faculdade, você estará desperdiçando a sua única e melhor oportunidade para a consciência.

Outra coisa, sobre a internet: as pessoas mais velhas, como eu, estão aterrorizadas com suas ignorâncias em relação a ela, o que você pode e deve usar para a sua vantagem dizendo coisas no seu emprego do tipo, "Você não tem um Tumblr? Oh, você realmente deveria ter um Tumblr. Eu posso configurar um para você".

Tente não se preocupar tanto sobre o que você fará com a sua vida. Você já está fazendo o que você fará com a sua vida, e julgando pela sua gownedness [nota: o fato de estarem vestindo gowns, no caso, becas], você está indo muito bem.

Nesse tópico, existem muitos outros empregos que você nunca nem ouviu falar. Seu emprego dos sonhos pode nem existir ainda. Se você tivesse dito ao meu Eu Na Faculdade que eu me tornaria um Youtuber profissional, eu diria algo como, "Isto não é nem uma palavra, e nunca deveria ser".

E, por último, seja vigilante na luta em direção a empatia. Alguns anos atrás, após a minha graduação na faculdade, eu estava morando em um apartamento em Chicago com quatro amigos, um dos quais era um cara do Kuwait chamado Hassan, e quando os Estados Unidos invadiram o Iraque, Hassan perdeu contato com a sua família, que vivia na fronteira, por seis semanas. Ele respondeu a esse estresse assistindo toda a cobertura jornalistica da guerra 24 horas por dia. Então, a única maneira de sair com Hassan era sentando-se ao seu lado no sofá, e daí um dia nós estávamos assistindo o noticiário e o âncora disse algo como, "Estamos recebendo novas imagens da cidade de Bagdá", e a câmera filmou uma casa que tinha um buraco enorme em uma parede coberta por um pedaço de madeira. Na madeira, tinha uma pichação em árabe rabiscada em tinta spray preta, e enquanto o âncora do jornal falava sobre a raiva na rua árabe ou algo assim, Hassan começou a rir pela primeira vez em várias semanas.

"O que é tão engraçado?", eu perguntei.

"A pichação", ele disse.

"O que é tão engraçado sobre ela?"

"A pichação diz: 'Feliz Aniversário, Senhor, Apesar das Circunstâncias'".

Pelo resto da sua vida, você terá uma escolha sobre como ler uma pichação em uma língua que você não conhece, e você terá uma escolha sobre como ler as ações e intonações das pessoas que você conhecer. Eu gostaria de incentivá-lo o máximo possível a considerar a possibilidade "Feliz Aniversário Senhor Apesar das Circunstâncias", a possibilidade de que as vidas e experiências dos outros são tão complexas e imprevisíveis quanto as suas próprias, que outras pessoas - sejam familiares ou estranhos, perto ou distantes - não são simplesmente uma coisa ou outra - não são simplesmente boas ou más ou sábios ou ignorantes - mas que eles, como você, contêm multidões, pegando emprestado uma frase do grande Walt Whitman.

Isso é difícil de se fazer - é difícil se lembrar que pessoas com vidas diferentes e distantes da sua própria vida até mesmo celebram aniversários, muito menos com presentes pichados em madeira. Você estará sempre preso ao seu próprio corpo, com sua consciência, vendo através do mundo por meio de seus próprios olhos, mas o dom e o desafio da sua educação é ver os outros como eles vêem a si mesmos, é lidar com esse mundo cruel e louco e bonito em toda a sua complexidade desconcertante. Nós não deixamos-lhe o caminho mais fácil, eu sei, mas eu tenho toda a confiança em você, e eu espero que você tenha uma feliz graduação, apesar das circunstâncias.

*Acho que é assim que se traduz a expressão "at someone's beck and call", mas não tenho muita certeza.
** Obrigada, Julia Tabosa, pela ajuda na tradução!

Sammydress | Paixonites Materiais

13 de maio de 2013

Fiz uma limpeza geral no guarda-roupa recentemente. Separei muita coisa que percebi que nem usava, muitas roupas quase novas ou que nunca nem foram usadas e que ficavam mofando no fundo das gavetas. É uma sensação bem engraçada, se desfazer de coisas que você nunca usa, mas que de algum modo é apegada, não?

Mas apesar das minhas tentativas de viver uma vida mais simples, eu ainda continuo criando listas de desejos em sites internacionais, enchendo o carrinho só para saber o total da compra, olhar o preço e perceber que sim, alguns itens até que cabem no meu bolso!, para então desistir e logo em seguida voltar a ficar admirando só de longe.

A Sammydress.com é uma dessas lojas. Parecer ser confiável (a Amanda, do Troquei na China, já comprou lá e gostou), e tem uma peças tão fofas, mas tão fofas, que acho que não vou conseguir resistir por muito tempo. Estes são alguns dos meus itens prediletos:

Vintage Crossbody Bag / Casual Print Cotton T-Shirt / Pink Pleated Skirt / Brown Platform Boots / Preppy Denim Shorts / Casual Women's Satchel / Women's Combat Boots / Rabbit Print Long Sleeve Sweater

Must resist the urge to splurge!

Assim que eu tiver tempo

29 de abril de 2013

Assim que eu tiver tempo, vou ler todos os livros que comprei/ganhei e que estão acumulando na estante, implorando para serem lidos.

Assim que eu tiver tempo, vou fazer uma limpeza geral no guarda-roupa, separar tudo o que não uso mais para doar e só manter aquilo que preciso e uso de verdade.

Assim que eu tiver tempo, vou postar com mais frequência no blog e manter uma rotina semanal de posts. 

Assim que eu tiver tempo, vou filmar um monte de vídeos para o canal do blog no Youtube, falando sobre livros, feminismo e sketchs de humor (mas antes, vou perder a vergonha de ficar em frente a uma câmera...).

Assim que eu tiver tempo, vou colocar em prática o que aprendi no curso de corte e costura, terminar a saia que comecei a fazer, costurar uma calça de estampa floral, um blazer azul marinho com o forro interno de estampa polka dot e um vestido preto com gola peter pan.

Assim que eu tiver tempo, vou terminar de assistir todos os dramas e séries que abandonei pela metade.

Assim que eu tiver tempo, vou terminar de ler todos os mangás que deixei pela metade (mas não os animes, porque eu não tenho mais paciência para animes...).

Assim que eu tiver tempo, vou aprender a mexer direito com HTML, CSS, JavaScript e JQuery.

Assim que eu tiver tempo, vou estudar para fazer a prova do CPE.

Assim que eu tiver tempo, vou aprender a fazer brigadeiro. Direito, sem aquelas bolotinhas ou com gosto de queimado.

Assim que eu tiver tempo, vou aprender a tirar fotos sem ser no automático.

Assim que eu tiver tempo, vou responder as tags Livros Reconfortantes e Liebster Award, já está uma vergonha essa demora toda para respondê-las.

Assim que eu tiver tempo, vou anotar tudo o que quero fazer num caderno, porque já não lembro mais das coisas.

Mas agora não, que eu preciso ir dormir.

Resenha: Missing U Hand Cream - I Can Fly (Cerulean Warbler), da Etude House

10 de abril de 2013

Esse vai ser um post-pílula, já que eu não estou com tempo de escrever posts mais elaborados, com uma resenha rápida desse creme para as mãos, comprado no mês passado, da marca sul-coreana Etude House:


Missing U Hand Cream - I Can Fly (Cerulean Warbler) - Etude House
Imagina se esse creme não foi comprado por conta da embalagem mais fofa do mundo... Eu não gosto muito de usar cremes desse tipo, sempre fico com aquela sensação de que a mão está pegajosa e a última coisa que eu quero é besuntar tudo o que toco, muito menos o teclado do meu notebook. Mas estou gostando desse creme, ele tem uma textura bem densa, nada oleosa, e é absorvido rapidamente. Tem também um cheirinho não-identificável gostoso, mas não muito forte, e é formulado com manteiga de karité e águas herbais. Vêm também em outros três formatos de pássaros em perigo de extinção e com informações na embalagem sobre cada ave, como esse Cerulean Warbler, que representa a felicidade. Muito fofo isso, não? A única coisa que não gostei for ter que enfiar o dedo na embalagem, não acho muito higiênico.

Preço: US $6.99 por 30 ml
Onde: rubyruby76 (eBay)
Entrega: Demorou um mês para chegar, embalagem bem cuidada e nada danificado.
Cruelty Free? A Etude House é, mas a Amore Pacific, marca mãe, não.

Mais fotos do produto, fornecidas pela nova-porém-já-da-casa fotógrafa pro do blog, Rebeca Patrício:


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