Baú de Brinquedos - Passarela Fenearte 2016

19 de julho de 2016

Fotografia: Bianca Barbalho

Semana passada foi o desfile do Senac na Passarela Fenearte 2016 e eu tive a oportunidade de participar pela primeira vez desse evento como criadora. Para quem não conhece, a Fenearte é a "Feira Nacional de Negócios do Artesanato", que ocorre uma vez ao ano no Centro de Convenções de Olinda. Durante o evento, acontecem desfiles de estilistas pernambucanos e de alunos de Design de Moda da região. Resolvi contar aqui como foi todo o processo e mostrar o resultado final!

Primeiro, o edital

Em março, saiu o edital do projeto Baú de Brinquedos para os alunos interessados em participar do evento, como parte da equipe de produção ou como parte da criação dos produtos. Apenas 15 pessoas (até duplas ou trios) seriam selecionadas como criadoras para desfilar na Passarela Fenearte pelo Senac. Para isso, era preciso desenvolver um croqui e uma ficha técnica (com amostras de tecido) da peça que seria desenvolvida, seguindo os requisitos do edital. O edital especificava os tipos de tecido a serem usados (naturais, tipo o linho e o algodão), as cores (que foi uma parte um pouco complicada, porque aparentemente eu não enxergo cores do mesmo jeito que as outras pessoas... D:) e os detalhes artesanais que as peças deveriam ter (como bordados e patchwork de renda), além de outros elementos, como recortes e ombros com decotes retos.
Já que era possível participar em trio, minhas amigas Jéssica, Ana, e eu formamos um grupo, o que foi uma ótima decisão, pois assim pudemos trabalhar melhor do que se eu tentasse participar sozinha.

Pesquisa, pesquisa, pesquisa

Partimos para pesquisar nas lojas da cidade tecidos que fossem naturais, com um preço acessível e em cores próximas às propostas no edital. Foi um pouco cansativo, mas descobri coisas interessantes, tipo tecidos sendo vendidos como linho, mas que não continham linho na composição, ha! Fomos também ao Mercado de São José, onde encontramos muitos brinquedos populares de antigamente, feito o mané-gostoso, a mula manca, o rói-rói, o pião, a peteca, os bonecos de João Redondo, as bonecas de pano e outros cujos nomes nunca aprendi.

Como podíamos enviar mais de um croqui por grupo (mas apenas um seria selecionado), decidimos enviar um cada. Jéssica foi a responsável por fazer os nossos esboços e rabiscos ganharem vida, porque ela tem uma mão de ouro e arrasa nos desenhos. Eu me aventurei em fazer os desenhos técnicos no Adobe Illustrator, e apesar de ter passado um fim de semana inteirinho batalhando para aprender a mexer no programa, foi tão interessante que agora quero fazer um curso mais aprofundado sobre ele!

Blusa cropped de voile com bordados e aplique de catavento; calça pantacourt de linho com patchwork de renda.

Vestido de linho com amarração de corda e patchwork de renda.

Vestido de linho e voile de algodão com patchwork de renda e apliques de catavento.

Uma semana depois da inscrição, saiu a lista dos selecionados e foi emocionante descobrir os nossos nomes lá!

O desenvolvimento da peça

O croqui escolhido foi a blusa cropped e a calça pantacourt com detalhe de patchwork de renda. Depois disso, foi a vez de fazer a modelagem. O problema é que ainda não tínhamos aprendido sobre modelagem plana de calças, então o jeito foi procurar em livros como o MIB (Modelagem Industrial Brasileira), de Sonia Duarte, e no site da Marlene Mukai.

Fizemos dois protótipos com algodão cru para conferir a modelagem, o que foi ótimo, porque a primeira vez tinha saído errado... Depois de comprar os tecidos e aviamentos (linho, viscose com linho, popeline lisa, voile liso, renda de guipire, renda de algodão, feltro, entretela etc.) e morrer um pouquinho com o valor total, levamos à mesma costureira que fez o vestido do projeto integrador do primeiro semestre (do qual eu falei aqui), a Fátima Lins. Até que pensamos em costurar nós mesmas, mas só de imaginar em errar alguma coisa e desperdiçar o linho, preferimos não arriscar.

Ainda tivemos uma aula de bordado dada pela própria coordenadora do curso, a professora Daniele Simões-Borgiani, onde eu tive o prazer de descobrir que não, não tenho qualquer talento nato para bordar. Mas Ana aprendeu muito rápido e foi ela quem fez o bordado da blusa!

Life Pro Tip: Comprem bastidores de bordado que tenham aquele regulador que ajusta!

Finalmente, a Passarela Fenearte

Sinceramente, foi tudo tão rápido e senti como se tivesse terminado num piscar de olhos. Mas valeu muito a pena, foi algo tão divertido e completamente novo para mim, e eu até consegui controlar a minha ansiedade e subir na passarela no final com os outros criadores (só uma pena que não fiz uma pose digna de Walério Araújo...). A organização da equipe de produção, o apoio dos professores, os criadores que fizeram cada peça mais linda que a outra, e claro, minhas amigas lindas Jéssica e Ana, estão de parabéns!

Fotos: Bianca Barbalho e Giovanni Chamberlain.

Espero que tenham gostado!

Nos Jardins do Rei Sol

8 de julho de 2016


Sumi e nem foi de propósito. Pensei em escrever textão explicando a ausência, mas acho que ninguém gosta muito de ler essas coisas, aí resolvi não publicar. Voltei, mesmo ainda não sabendo exatamente o que pretendo fazer aqui, só de que não quero parar de escrever. Decidi, então, falar um pouco sobre o primeiro semestre da faculdade de Design de Moda e mostrar as fotos de um editorial (o meu primeiro, por sinal!) que fizemos com o resultado do Projeto Integrador.

Como falei nesse post aqui, todo semestre tem um projeto temático que integra todas as disciplinas e que serve para avaliar os alunos em relação a tudo que foi ensinado. No primeiro período, o tema foi Moda Inclusiva e cada grupo de trabalho poderia escolher uma deficiência e desenvolver uma coleção inspirada em um determinado período histórico estudado em História e Estética da Indumentária. O meu grupo escolheu analisar as dificuldades encontradas em relação ao vestuário por deficientes visuais, e o período histórico escolhido foi o Barroco. Acabei lendo bastante e encontrando muitas coisas legais sobre a estética, a beleza e o vestuário da época e ainda tenho vontade de compartilhar um pouco sobre o que aprendi aqui um dia.

Depois dessa parte de pesquisa, definimos os elementos marcantes da moda barroca que pretendíamos usar e partimos para a elaboração dos croquis. Essa foi a parte que eu gostaria de ter me empenhado mais e ter feito um desenho melhor, mas agora já foi... A professora de Modelagem Tridimensional debateu com o grupo sobre quais os motivos de cada uma ter feito o seu croqui de um jeito e no final escolhemos o que consideramos o que melhor combinava com a proposta. O croqui escolhido foi o da minha amiga Nathália Martins: um vestido com corpete e barbatanas na frente (que diferenciava a frente das costas), um zíper lateral longo e um comprimento curto para facilitar a mobilidade do usuário da peça.

A Professora Anete Sales, de Modelagem Tridimensional, nos ajudando a escolher o croqui que seria confeccionado. Da esquerda para direita: Alessandra Poleti, Nathália Martins, a professora Anete, Jéssica Amanda e Ana Carolina Barbosa.

Esq.: Esboços e croquis durante a aula de Desenho de Moda (aqueles dois croquis lindos na parte cima foram feitos pela minha amiga super talentosa, Jéssica Amanda). Dir.: Criando a modelagem diretamente no manequim usando algodão cru.

Após criarmos a modelagem do vestido, fomos em busca dos tecidos e aviamentos. E essa, com certeza, foi a parte mais chata (além de cara!), pois andamos pela cidade inteira atrás de um tecido tipo brocado ou que se parecesse com ele (e que não fosse tecido para cortina), e não encontramos. Decidimos usar um tule suíço na cor dourada, com um bordado com motivos florais, e um cetim de noiva azul escuro (além de um forro de alpaseda). Como não temos disciplina de confecção até o segundo semestre, pudemos contratar uma pessoa para costurar o vestido, no caso, a Fátima Lins, que é muito talentosa e fez um trabalho incrível.

E depois de muito nervosismo (principalmente de minha parte, ha!), apresentamos diante de todos os professores e da turma e deu tudo certo no final. Uns meses depois, fizemos um editorial de moda com a minha amiga Ana, do nosso grupo mesmo, como modelo, e minha irmã, Beca, como fotógrafa. Foi outra experiência divertida, por mais que muito cansativa, e cá entre nós, o resultado ficou muito bom! No fim das contas, foi difícil escolher apenas algumas fotos, mas são estas aí:

Créditos
Fotografia e edição de imagens: Rebeca Patrício
Modelo: Ana Carolina Barbosa
Maquiagem: Carolina Patrício (!)
Produção e Styling: Ana Carolina Barbosa, Carolina Patrício, Jéssica Amanda

E esse é um vídeo que minha irmã fez e editou do dia da sessão de fotos:


Ah, sim, já ia me esquecendo de explicar o nome do post! Nos jardins do Rei Sol foi o nome que demos para o projeto, fazendo referência ao Rei Luís XIV da França, também conhecido como "Rei Sol". Ele foi o primeiro ícone da moda francesa no século XVII e foi durante o seu reinado que a França se tornou o país ditador da moda no período. Também foi ele quem mandou construir o Palácio de Versalhes, conhecido pelos seus jardins imponentes!

Espero que tenha gostado!
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