Life is Strange | Análise do Jogo

13 de julho de 2017


Se você pudesse voltar no tempo e desfazer ações que te levaram a resultados ruins, faria isso?


Se você tivesse a chance de escolher ter apenas um super poder, qual seria? Eu gostaria de poder voar, mas acho que é só uma questão de tempo para aperfeiçoarmos os avanços tecnológicos que farão com que jetpacks sejam seguros e vendidos em uma grande escala, então não desperdiçaria meu desejo com isso. Também gostaria de ter outros poderes, como a invisibilidade, a invulnerabilidade, e o poder de copiar poderes (que não serviria de nada se eu fosse a única pessoa com poderes no mundo...). Mas não, eu escolheria mesmo o poder de viajar no tempo e mudar o passado. O problema é que viagem no tempo é um negócio complicado, e se todas as histórias que já vi me ensinaram algo é que as consequências de voltar ao passado para alterá-lo são imprevisíveis e, na maioria das vezes, catastróficas.

Daí que em 2015 saiu esse jogo na Steam, Life Is Strange, um game episódico de aventura desenvolvido pelo estúdio Dontnod Entertainment e publicado pela Square Enix. A premissa parecia ser muito interessante, vide o meu fascínio pelo tema de viagem no tempo, e acabei me apaixonando perdidamente por esse jogo. É um game sobre os problemas da vida de uma adolescente, sobre bullying na escola, sobre problemas de relacionamento com pais e figuras de autoridade, sobre descoberta da própria sexualidade e de seu lugar no mundo e, em essência, uma história sobre amizade.

Eu sei que estou um pouco atrasada com esse protótipo de resenha aqui no blog, mas acredito que não seja tarde para divulgar esse jogo mais um pouquinho para quem ainda não teve a chance de conhecê-lo.


Enredo

Maxine Caulfield é uma garota de 18 anos que decide voltar para a sua cidade natal, Arcadia Bay, para estudar Fotografia numa prestigiosa escola da região, a Blackwell Academy. Um dia, Max acorda de um cochilo durante a aula após sonhar com um tornado que está prestes a devastar toda a cidade. Assustada, ela vai ao banheiro lavar o rosto e acaba ouvindo uma discussão entre Nathan Prescott, um playboyzinho filho de um dos homens mais ricos e influentes da cidade, e uma menina de cabelos azuis. O garoto saca um arma e acaba atirando (e matando) a menina que, coincidentemente, é a melhor amiga de infância da Max, a Chloe Price. É nesse momento que Max descobre que consegue voltar no tempo e mudar o curso dos eventos para impedir que sua amiga seja morta. Reunidas, Max e Chloe passam a investigar o desaparecimento misterioso de outra aluna da escola, a Rachel Amber, e começam a presenciar uma série de acontecimentos bizarros na cidade.


Jogabilidade

LIS é um jogo interativo, assim você pode interagir com os objetos, o ambiente e os personagens ao redor, para encontrar pistas e descobrir mais sobre eles. E se você não gostar dos resultados das suas ações, é possível voltar no tempo até certo ponto e usar as novas informações obtidas para influenciar as pessoas e mudar o desenrolar dos eventos. Algumas interações são essenciais para o avanço da história, mas outras são dispensáveis, apesar de interessantes para compreender o ambiente da escola, o contexto político da cidade e, basicamente, dar maior profundidade aos personagens.



Gráficos

Se você gosta de fotografia, saiba que esse é um tema recorrente do jogo. Desde uma aula em que termos relacionados são discutidos, como uma das atividades opcionais do game ser tirar fotos de cenas e objetos específicos (ganhando achievements na Steam). As fotografias da Max também são, em certos momentos, essenciais para o desenrolar da história. Além disso, o jogo tem uma produção artística incrível, com cenas lindíssimas. Isso ajuda a ter uma rápida imersão no jogo, porém deu para perceber em muitos momentos como a sincronia labial não era das melhores (isso foi justificado pelo baixo orçamento que a Dontnod teve para desenvolver o jogo).



Trilha Sonora

Outra ponto positivo é a trilha sonora maravilhosa, com músicas de indie rock que se encaixam perfeitamente no jogo, te fazendo se aproximar mais das sensações vividas pelos personagens. Dá para conferir todas as faixas licenciadas pelo jogo nessa playlist do Spotify aqui:


Pontos negativos

- Apesar de gostar do ritmo do jogo como um todo, algumas partes têm um ritmo estranho, com puzzles com premissas interessantes, mas mal implementados, como ter que catar garrafas de vidro num ferro-velho para conseguir avançar a história.
- O quinto episódio é o que eu menos gosto e, na minha opinião, o mais fraco de todos. Entre vários fatores, fiquei desapontada por só haver duas opções de resultados para a história. Eu sinceramente esperava que fossem vários resultados possíveis, but nope.
- Gostei muito da amizade entre a Chloe e a Max, e o jogo é basicamente sobre a história de amizade entre as duas, mas a Chloe consegue ser uma adolescente egoísta e insuperável (se bem que isso é bem realista dos adolescentes...).
- É possível jogar os 5 episódios dentro de 10 horas, o que pode ser pouco tempo de jogo para muitas pessoas. Mas isso também pode ser um lado positivo para quem tem pouco tempo disponível e não quer passar horas e horas no mesmo jogo.
- E o ponto mais negativo de todos: não acho que tenha uma boa replayability, ou seja, não acho que seja o tipo de jogo que você queira jogar várias vezes do início. Sim, adorei a experiência do jogo, mas depois da conclusão eu me dei conta que era algo que poderia ser experimentado apenas uma vez.

Veredito

Life is Strange é um ótimo jogo de aventura. Não é perfeito, mas as imperfeições da mecânica do jogo e da trama não ofuscam o game como um todo. É, sem dúvida, um dos meus jogos favoritos de todos os tempos, não que eu tenha jogado muitos jogos na minha vida para começo de conversa, mas sei que esse é um dos bons e que eu preciso recomendar para as pessoas, quer elas costumem jogar ou não. Ele me fez chorar, o que também não é muito difícil, mas conheço muita gente que nunca derrama uma lágrima sequer se debulhando no final do jogo, o que me fez pensar sobre os critérios de Steven Spielberg sobre video games serem obras de arte.

A parte mais legal, e que me fez querer escrever esse post, foi terem anunciado que um episódio novo do jogo será lançado em breve! Life Is Strange: Before The Storm ainda não tem data de lançamento prevista, e será sobre a vida de Chloe três anos antes dos acontecimentos do jogo original.

Detalhes do jogo

Desenvolvedor: Dontnod Entertainment
Publisher: Square Enix
Plataformas: Windows, PS4, PS3, Xbox One, Xbox 360
Lançamento: 2015
Preço: R$ 36,99 o pacote com os 5 episódios na Steam, sendo que o Episódio 1 está com o download gratuito!
Links: Steam | Site oficial

Trailer do episódio 1 (legendado):


Postar um comentário

© Desopilar. Design by FCD.